O site "CAMINHOS E SONHOS" registra uma coletânea de conteúdos diversificados. O autor, "Rodolfo Antonio de Gaspari-Prof.Roangas" mostra dentro do espaço das letras muita sensibilidade poética de um grande sonhador.
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Pincelamos as letras para que as palavras sejam transformadas na essência da sua criatividade...
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                 COMERCIANTES  INTERIORANOS
 
  
O primeiro meio comercial que se sabe de AREIAS DO OESTE, veio com os ambulantes. Em sua maioria ciganos, os considerados MASCATES. Eram pessoas bastante comunicativas, até certo ponto, “tapeadores”. Vinham principalmente da capital paulista. No início uma ou duas barraquinhas, depois em conjunto feiras. Chegava na sua maioria através da ferrovia, o principal meio de transporte que servia a cidade. Traziam as grandes novidades, lançadas nos grandes centros. Na cidade permaneciam por vários dias, faziam amizade com o povo, como também algumas vezes, confusões, que os obrigavam a se retirarem do pequeno povoado, expulsos pelas autoridades presentes.

   À medida que foi desenvolvendo a pequena cidade, começou a ativar ou ser criado o COMÉRCIO AREIENSE, quando antes os gêneros alimentícios eram dos fundos dos quintais. Esse meio bem doméstico começou a ser pouco e carente. Daí, o surgimento do primeiro recurso comercial, a VENDA DO AMARILDO. Essa ficava estabelecida no centro, esquina da matriz. Nela havia de tudo, do mais básico possível. Os alimentos revendidos vinham do meio rural do próprio povoado. Os produtos avulsos chegavam em grandes potes de vidro, latões, tinas de madeira (também conhecidas como tonéis). AMARILDO confesso que fez o seu par de meias, servindo por longos anos os habitantes da cidadezinha.

   Vieram depois os concorrentes: A CASA JOSÉ SILVA foi uma das mais antigas. Ali tinha de tudo também. Conservou as suas características antigas, sem nenhum esmero ou inovação do seu espaço físico. Os principais gêneros: arroz, feijão, macarrão solto (não havia os empacotados), farinha de trigo, farinha de milho e mandioca... era todos colocados por trás de um enorme balcão, em grandes baús, com separação e tampas. Os alimentos eram retirados por pegadores em forma de concha comprida, feitos de folhas de lata, a base de soldas. Colocados em sacos de papel pardo, selecionados por tamanhos destinados ao peso: um, dois, três, quatro, cinco quilos... e, levados às primitivas balanças, de duas bandejas equilibradas por rodas de ferro, de acordo com as pesagens, que se destinavam os produtos. Os consumidores eram muitos, se aglomeravam por trás dos balcões, principalmente nos finais de semana, quando os ruralistas vinham ao povoado fazerem as suas compras. Chegavam a cavalo, carroças; traziam sacos de estopa ou de açúcar para o transporte de suas compras, elas em quantidade grande, programada para o consumo de vários dias, devido às dificuldades de locomoção até à cidade. Também havia o intercâmbio de comércio, quando traziam ovos, frangos, verduras... Aproveitavam para vender. Com o dinheiro arrecadado faziam as suas compras. Um produto bem consumido era o querosene, tanto pelas pessoas da área rural, como as da pequena cidade, pois nem todos ainda possuíam energia elétrica em suas casas. A antiga “lamparina” existia em abundância. Eram de modelos simples até as de fino acabamento para aquela época passada. As velas também um produto de alto consumo, eram fabricadas de puro sebo, com pouca parafina, tinham uma cor bem amarelada. Muitos substituíam as lamparinas por velas. As residências dos mais finos usava muitos castiçais e candelabros, úteis à iluminação noturna, como também, para os detalhes requintados da decoração de ambiente daquela época remota. Os funcionários das “VENDAS”, não recebiam o nome de BALCONISTAS e sim de CAIXEIROS, nome vindo de VENDEDORES AMBULANTES.  

   Vale salientar que o comércio, não empregava muitos habitantes da cidade, trabalhavam os próprios proprietários, entre os pais, filhos, irmãos, genros, noras, netos...


   A VENDA DO BINATTI era especializada nos produtos agrícolas: sementeiras, adubos, venenos para insetos e saúvas. Essa espécie de formiga muito comum e preocupante, daninhas às lavouras em geral. Ali se encontrava rações para o gado bovino (tortas de vaca), aves, etc. Vasos de cerâmica vermelha, os famosos potes de barro, talhas e filtros d’água.

  
Outra VENDA bastante popular e renomada dos idos tempos foi a do NIBÉRIO. Ali tudo se encontrava: materiais elétricos, de construção, tecidos, calçados, alimentos, rações para todas as espécies de animais, carnes em charco, linguiças, materiais antigos escolares, até as coisas mais modernas daquela época. Não havia o que se procurasse que ali não fosse encontrado.

  
A LOJA TAIAR de proprietário turco, especializada em roupas finas, tecidos para noivas, noivos, calçados; uma LOJA bem montada! Registra-se como a primeira que teve a sua vitrina de exposição. Muito comum nas noites quentes do verão, o povo se dirigir para apreciar a vitrina bem decorada da LOJA TAIAR.


   A LOJA SÃO VALENTIM trouxe mais tarde, o melhor camiseiro da cidade, que junto ao seu salão de costura passou a dirigir uma fina loja de roupas feitas. Os primeiros artigos em calças e camisas sociais industrializadas foram chegadas na cidade através dessa casa de comércio. Era comum madrinhas e padrinhos de casamento procurarem suas roupas para essas datas especiais.


   A PADARIA DO VITÓRIO ITALIANO poderia ser considerada como a melhor confeitaria do povoado; além das massas, doces e salgados de primeira classe. Responsável pelas variedades de doces que usavam nas festas em geral e nos casamentos.


   Uma atração bem grande à população bem da “elite” do ontem foi a SOROVETERIA E RESTAURANTE DO SILVANO. Era o ponto de encontro dos casais de namorados ou efetivamente casados. Tantos sorvetes como comidas, bem selecionados e elogiados.


   Na arte fotográfica vamos encontrar o velho CIRINO, foi o primeiro fotógrafo dessa cidade interiorana. As fotos eram tiradas somente em estúdios com montagem de lindos cenários com modelos para infantis, jovens, casais de noivos... tudo em preto e branco.

   Dos ambulantes transitórios, das primeiras VENDAS, como marco do princípio do comércio areiense, sentimos orgulhosos pela expansão comercial dos dias contemporâneos. Não podemos estar esquecidos que tudo começou de uma estória ou história de um povo. É um livro infinito do ONTEM, HOJE E SEMPRE! Em cada passo, um rastro, um conto, um registro como marco importante de todas as gerações, com suas mutações e progressos. Surgem as novas tecnologias, não se esquecendo das origens e raízes. 
 
 
 
CONTO – NARRAÇÃO-
DOCUMENTO PASSARELA DE CONTOS
Autor do texto e da ilustração-Foto-(BEIJA-ME...BEIJA-FLOR):
Rodolfo Antonio de Gaspari - (Prof. Roangas)
 
 
 
 
            
 
 
roangas
Enviado por roangas em 28/10/2009
Alterado em 02/11/2009
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